Sou adepta de mudanças visuais.
Gosto de variar e acho que faz bem ao espírito.
Mas só o cortar cabelo em Londres, pelo menos ao sítio onde eu vou, é um pequeno prejuízo.
É que a senhora cobra-me ao centímetro.
Quanto mais corto, mais caro me fica.
O que a meu ver até me parece ridículo porque ela acaba por ficar com o meu dinheiro e o meu cabelo.
Mas nem tudo é mau. Até porque entrar neste salão é quase como entrar num mundo paralelo.
Assim que abro a porta, vem alguém cumprimentar-me, tirar o casaco e guardar a mala.
Dirigem-me depois ao local de espera, onde posso sentar e ler umas revistinhas.
Ainda me oferecem qualquer coisa para beber:
tea or coffee.
Magnífico, só digo isso.
Confesso que à primeira vez não aceitei por cortesia, mas as vezes seguintes...
O único senão que aponto é a qualidade musical que por lá se ouve.
É que escutar os
Take That e as
Girls Aloud em modo
repeat tem feito alguns danos nas minhas lindas orelhinhas.
Segue-se então a parte da lavagem, que antecede o corte.
Mas este acto não é simplesmente colocar algum
shampoo de uma libra e esfregar brutamente.
Não, tenho direito a uma sessão de massagem.
Pelo menos durante 15 minutos.
O tempo poderá ser maior, mas está dependente da pessoa que está a secar o cabelo com a cabeleireira que me vai atender.
Mesmo por um quarto de hora, as minhas têmporas agradecem e muito.
Mas depois vem a parte complicada. A de explicar o que quero fazer com o cabelo.
Porque escadear diz-se
layered e eu não sabia.
A primeira vez disse:
Can you cut it like stairs?Comédia, em especial porque havia gestos envolvidos.
E enquanto em Lisboa o escadear está implícito pelo cabelo todo, inclusivé à frente, por cá não é bem assim.
Mesmo pedindo
layeres, é só na parte de trás.
À frente tenho de pedir
feathers.
A frase que eu proferi, querem vocês saber?
Can you make it spikey in the front? (Mais gestos)
E a franja!
Can you make my bangs straight but go up and down?Perceberam? Ela também não.
Porque o que queria era uma franja direita, tipo a Fátima Lopes (a estilista) mas não a queria certinha como o dela nem que a franja decrescesse para o lado.
Ora, eu bem meti o nome da Fátima pelo meio, mas não foi de grande ajuda.
Por fim a parte de secar o cabelo.
Que eu me lembre, sempre que chegava esta parte, vinha a pergunta do costume:
-
Então como vamos secar desta vez? Todo direitinho, quer as pontas viradas para que lado, caracóis..?Cá por Londres, nem tenho direito a pedir.
É sempre da mesma maneira.
Liso, todo esticadinho.Eu até me esforcei e pedi que ela virasse as pontas mais curtas do cabelo para fora.
Mas a parte de trás do cabelo ficou a parecer o rabiosque dos meus piriquitos (que já não tenho,
but you get it).
É que eu desconfio que não sabem fazer de outra maneira.
Toda a mulher que saiu daquele cabeleireiro, tinha o cabelo esticado.
Acho que é uma moda por cá, nesse aspecto não diversificam muito.
Até já cheguei a reparar nisso nos transportes, nos locais públicos e até mesmo na minha Uni.
Mulheres por cá adoram ter o cabelo igual, e em particular, esticar o cabelo sempre.
Lá está, destaco-me porque eu raramente faço isso.
Gosto de ser diferente (e também tenho pouca paciência)
eheheAndo sempre com o cabelo que parece um anúncio da Fructis.
Wild e rebelde.
Basicamente ando despenteada.
Isto tudo para dizer que para além do corte, amanhã vou-me modificar ainda mais, mas faço isso sozinha. Tive uma ideia genial! Espero é que fique tão bem como imagino :)